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Márcio Moraes
no leito solidário de uma floresta altiva descansem por favor a minha poesia
Meu Diário
12/12/2014 20h29
Lançamento do livro "Entre linhas", de Bibi Ribeiro

Lançamento do livro de crônicas Entre linhas, da jovem escritora Bibi Ribeiro

Dia: 16 de dezembro de 2014

Horário: 20h

Local: Centro Cultural Hermes de Paula, Praça da Matriz, Montes Claros - MG

 

Publicado por Márcio Adriano Moraes
em 12/12/2014 às 20h29
 
11/12/2014 17h12
Lançamento do livro "Casar! Contra quem?", de Hélio Consolaro

Sábado, 20h30, na Livraria Nobel de Araçatuba, av. Cussy de Almeida, 1071 ​

Publicado por Márcio Adriano Moraes
em 11/12/2014 às 17h12
 
08/12/2014 13h57
VESTIBULAR DA UNIMONTES 1/2015 - COMENTÁRIO DAS QUESTÕES DE LITERATURA: GRUPO 2

Caderno 181

 

13 (Unimontes) Sobre o filme A menina que roubava livros, só NÃO está correta a alternativa

A) A narrativa concede ao destino trágico da protagonista uma perspectiva poética.

B) O narrador onisciente do texto fílmico proporciona a reflexão sobre o conceito da morte.

C) O filme apresenta um final alternativo de resgate emocional da protagonista.

D) A narrativa representa uma denúncia à exploração do menor delinquente.

 

Comentário: A) Correta: Enquanto criança que viveu durante a Segunda Guerra, Liesel tem o seu destino traçado por várias perdas, porém a perspectiva poética que é vivenciada com a experiência da leitura e das amizades é decisiva em sua vida. B) Correta: Logo no início da narrativa, temos uma voz off que aparece, representando o que seria este “narrador onisciente”, que é justamente a própria Morte a qual fala de si e como vê os humanos. C) Correta: O filme encerra com a voz narrativa da Morte apresentando ao espectador como foi a vida de Liesel, marcada pela emoção e resgate das memórias. D) Incorreta: Não há denúncia à exploração do menor delinquente, mesmo por que não há nenhuma criança delinquente; o título “roubava livros” é apenas uma metáfora para o seu desejo de literatura.

 

14 (Unimontes) Sobre o livro Passaporte para a China, de Lygia Fagundes Telles, assinale a alternativa CORRETA.

A) De caráter epistolar, o livro reúne narrativas religiosas, dramáticas e satíricas.

B) Os textos apresentam o olhar árido e ingênuo da cronista de viagens.

C) Trata-se de uma coletânea de textos de caráter autobiográfico reunidos pela autora.

D) O potencial pedagógico e repressor das crônicas é perceptível a partir dos seus títulos.

 

Comentário: A) Incorreta: Epístola é carta; o texto de Lygia se enquadra no gênero crônica/diário; além disso, não se pode falar em narrativas religiosas. B) Incorreta: O olhar da autora não é ingênuo, mas crítico; também não é árido, mas sensível. C) Correta: As experiências relatadas nos textos foram vivenciadas pela autora, por isso o caráter autobiográfico, os quais foram escritos em 1960 e depois reunidos neste livro em 2011. D) Incorreta: As crônicas não possuem título, apenas datações e espacialidades, também não tem caráter pedagógico, muito menos repressor.

 

15 (Unimontes) Sobre o livro Passaporte, de Fernando Bonassi, todas as alternativas abaixo são verdadeiras, EXCETO

A) Os textos reelaboram as implicações históricas e culturais da realidade que representam.

B) No livro, desenhos e textos verbais convergem para a polissemia dos relatos.

C) Os diversos personagens exprimem as multifacetadas subjetividades contemporâneas.

D) As narrativas retratam cenas que se fixam no horizonte do inverossímil.

 

Comentário: A) Correta: São 137 minitextos, os quais possuem alguma relação histórica, vista com um novo olhar, crítico e reflexivo. B) Correta: Tantos os textos quantos os desenhos presentes proporcionam aos leitores várias possibilidades de leitura, convergindo sempre para uma visão pessimista da realidade. C) Correta: Como são muitos textos, há muitos personagens, cada qual com sua subjetividade e que apresentam, por isso, múltiplas facetas. D) Incorreta: As narrativas foram inspiradas em fatos reais, concretos, o horizonte é, portanto, verossímil, há textos que falam da 2ª Guerra Mundial, citando personalidades que participaram desse acontecimento, há relatos sobre o massacre de Carandiru, a inundação de Sete Quedas, entre outros eventos históricos.

 

16 (Unimontes) Sobre o conto “A menina de lá”, de João Guimarães Rosa, pode-se afirmar, EXCETO

A) De identidade leve e singela, a protagonista falava “despropositado”.

B) A lógica da personagem revela a existência e natureza inteligíveis do seu ser.

C) A personagem Nhinhinha exprime uma visão transcendental da vida.

D) A incomunicabilidade da menina reflete a sua inadaptação ao contexto.

 

Comentário: A) Correta: Essa afirmação está explícita no conto: “Nhinhinha tinha falado despropositado desatino”, seu nome é singelo como sua pessoa. B) Incorreta: Não se pode falar propriamente em “lógica” no comportamento de Nhinhinha, justamente por ser uma menina de lá; além disso, sua natureza é ininteligível, ou seja, não é inteligível, por não ser compreendida. C) Correta: O próprio título do conto traz essa visão transcendental, “menina de lá”. D) Correta: Por não fazer parte do “cá”, a sua fala é incompreendida por seus familiares, por isso sua inadaptação ao meio, por isso ao fim da narrativa ela “retorna ao lá”.

 

*17 (Unimontes) O filme A menina que roubava livros e o conto de Clarice Lispector “Felicidade Clandestina” falam sobre o poder transformador da leitura. Assinale a alternativa que NÃO caracteriza corretamente as duas narrativas.

A) As histórias evocam duas meninas solitárias, para quem o livro era libertação.

B) As histórias demonstram o poder transformador de um livro.

C) As histórias evidenciam o mundo interior das crianças e seu amor pela leitura.

D) As histórias expressam que o objeto do desejo provém do inacessível.

 

Comentário: A) Incorreta: As protagonistas não eram solitárias, basta atentar-se para o filme, em que vemos várias cenas em que Liesel está em constante interação com muitas pessoas. B) Correta: A leitura é capaz de transformar suas protagonistas, fazendo-as crescer, tanto Clarice quanto Liesel tornam-se escritoras. C) Correta: Tanto o enredo do filme quanto do conto, percebemos essa introspecção das protagonistas que vão revelando ao leitor/espectador esse amor pela leitura. D) Correta: A condição social das duas personagens não lhes era favorável, por isso “aventuram-se” e se submetem a situações de perigo e dor para alcançar o objeto de desejo.

 

*Gabarito oficial: Letra D.

 

Recurso: A questão 17 que traz uma leitura comparativa do filme A menina que roubava livros e do conto “Felicidade clandestina” está com o gabarito equivocado. A alternativa dada como INCORRETA foi a letra “D”, na qual se lê: “As histórias expressam que o objeto do desejo provém do inacessível”. Considerando que em ambas as obras as protagonistas possuem como objeto de desejo os livros, pode-se afirmar, sim, que tal desejo provém do inacessível, já que os livros estavam acima de suas condições, conforme se lê no fragmento de “Felicidade Clandestina”: “Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses”. No filme, a protagonista teve de “furtar” o livro do coveiro e retirar um da fogueira. Na casa do prefeito, ela só conseguia ler com a autorização de Isla. E depois de “expulsa” da casa, pegava emprestado os livros da biblioteca. Portanto, a alternativa “D” está CORRETA e não pode ser o gabarito da questão. Entretanto, a alternativa “A” afirma que “As histórias evocam duas meninas solitárias, para quem o livro era libertação”. Não se pode afirmar que as meninas eram solitárias. No conto, há os trechos: “enquanto nós todas ainda éramos achatadas [...] Pouco aproveitava. E nós menos ainda [...] Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres”. Logo, percebe-se que a protagonista tinha colegas, não sendo, portanto solitária. No filme, a convivência de Liesel com outras pessoas é uma tônica na narrativa, ela interage e se diverte com Hans, Rudy, Max e Rosa, principalmente. Sendo assim, não se pode falar em “solidão” da protagonista. A libertação que o livro lhes proporciona não é de solidão, mas de consciência de existencial. Dessa forma, pede-se ALTERAÇÃO do gabarito, de “D” para “A”.

 

RECURSO DEFERIDO PELA COTEC

GABARITO RETIFICADO: RESPOSTA CORRETA: LETRA "A"

Conferir link: http://www.cotec.unimontes.br/vestibular/012015/RTL_GB_AposRecG2.pdf​

 

18 (Unimontes) No conto “Felicidade Clandestina”, de Clarice Lispector, a visão da menina pobre que sonhava ler um livro que não possuía resvala ora entre as percepções de uma criança ora entre as de uma mulher. Assinale a alternativa que NÃO expressa nenhuma dessas características.

A) “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.”

B) “Não saí pulando como sempre”.

C) “Eu era uma rainha delicada”.

D) “Meu peito estava quente, meu coração pensativo”.

 

Comentário: A) Incorreta: Esta fala é da mãe da filha do dono da livraria. B) Correta: Pular era a prática da criança, não sair pulando representa a mulher. C) Correto: Ser rainha é a afirmação da mulher, que deixa de ser princesa. D) Correto: O coração pensativo conota um gesto típico dos adultos.

 

19 (Unimontes) A respeito da personagem Nhinhinha, do conto “A menina de lá”, NÃO é verdadeira a seguinte alternativa.

A) Suas palavras, de sentidos inapreensíveis, evocavam o mistério e o sonho.

B) Sua vida representava a primazia das sensações e do sentimento sobre a realidade.

C) A menina usava a palavra para manipular, a seu favor, o mundo dos adultos.

D) A delicadeza de sua existência era incompreensível no universo árido do sertão.

 

Comentário: A) Correta: Suas palavras eram, sim, inapreensíveis, justamente por estarem associadas ao universo do lá, que pode ser entendido como “o mistério e o sonho”. B) Correta: Nhinhinha não se preocupava com questões deste mundo, isso é explícito no conto, sua vida era voltada para coisas simples, por isso suas sensações e sentimentos sobressaem . C) Incorreta: Nhinhinha não possuía nenhuma maldade desse mundo, ela é de “lá”, por isso não se pode falar que ela manipulava nada; pelo contrário era uma dócil menininha que os adultos tentavam tirar proveito de seu dom. D) Correta: Nhinhinha representa o ser desajustado, diferente, que não se harmonizava com o meio; logo sua existência metaforicamente é contrária ao sertão, comumente conhecido por sua aridez e resistência; a menina era delicada, diferente de todos dali. 

 

20 (Unimontes) Leia o trecho da crônica “017 meus caros amigos”, de Fernando Bonassi.

 

Jasper está entregando pizzas com a 250. Malu aprende alemão a frases vistas. Marcelo arrumou um namorado economista. Marc não quer mais pintar quadros com coisas pulando para fora da tela. Osvaldo tem uma coreografia pronta e agora tenta convencer bailarinos a trabalhar de graça. Adriana demitiu-se. Suleyman finalmente comprou mostarda americana para os sanduíches.

 

Assinale, a seguir, a alternativa INCORRETA sobre o conto.

A) Os vários nomes que aparecem na narrativa representam a intensidade do mundo interior do narrador, para quem os amigos são inestimáveis.

B) As frases curtas, independentes, quase telegráficas, expressam o isolamento social característico das grandes metrópoles.

C) Os personagens requisitados pelo olhar difuso do narrador expressam seu cosmopolitismo e o prosaísmo urbano que o caracteriza.

D) No cotidiano dos personagens se fundem questões variadas, que expressam a sobrevivência nas cidades, as escolhas individuais e alguma ironia.

 

Comentário: A) Incorreta: Não há relação de amizade entre os nomes que aparecem no conto, todos estão em realidades distintas; além disso, o texto mostra uma realidade externa, e não interna do mundo interior do narrador. B) Correta: O mundo fragmentado, pessoas fragmentadas e isoladas em seus “mundinhos” são os ensinamentos propostos pelos minicontos de Bonassi. C) Correta: Os personagens fazem partes de realidades diferentes, entregador de pizza, pintor, economista; cada qual com sua característica que são todos selecionados pelo olhar difuso do narrador cosmopolita. D) Correta: A rotina de cada personagem e suas escolhas de vida neste mundo conturbado estão presentes neste miniconto e em outros textos do autor; a ironia é um recurso muito usado pelo escritor.

 

Espero que tenha se saído bem na prova.
Obrigado pela confiança em nosso trabalho.
Abraços genuínos
márcio moraes

 

Publicado por Márcio Adriano Moraes
em 08/12/2014 às 13h57
 
07/12/2014 23h40
VESTIBULAR DA UNIMONTES 1/2015 - COMENTÁRIO DAS QUESTÕES DE LITERATURA: GRUPO 1

Caderno 14

 

13 (Unimontes) Assinale a alternativa CORRETA sobre o conto “Felicidade clandestina”, de Clarice Lispector, e o filme A menina que roubava livros.

A) Os livros roubados são, para as personagens, signos de enfrentamento à pressão vigente.
B) Nas duas histórias, os livros representam matéria de salvação para as protagonistas.
C) As personagens vivem clandestinamente a experiência libertadora da leitura.
D) Pode-se dizer que o ambiente de guerra se reflete de forma similar nas duas personagens.

Comentário: A) Incorreta: Em Felicidade Clandestina, a protagonista não rouba livros. B) Incorreta: Não se pode dizer que os livros são matéria de salvação nas duas histórias. Em Felicidade Clandestina, a experiência da espera do livro, faz a protagonista amadurecer. Não é matéria de salvação, mas de crescimento. Em A menina que roubava livros, a lógica também é a mesma. Com as leituras, a protagonista vai amadurecendo quanto pessoa. C) Correta: A leitura traz uma experiência libertadora, no sentido de fazê-las crescer ante o mundo que as cercava. D) Incorreta: Não há ambiente de guerra em Felicidade Clandestina; e se pensar em uma “metáfora” para a relação entre as personagens, também estaria incorreto, já que as narrativas não são similares nesse quesito. 

 

14 (Unimontes) As obras “A menina de lá”, “Felicidade Clandestina” e A menina que roubava livros podem ser lidas como expressão da/do
A) ótica invulgar da criança sobre o ambiente da opressão e guerra.
B) experiência das meninas com o diferente, o inatingível e o libertador.
C) desejo sobre o proibitivo e inatingível.
D) sentimento catártico das meninas sobre a literatura e a leitura. 

Comentário: A) Incorreta: Apesar de serem personagens singulares, a expressão “ótica invulgar” não seria aplicável, por exemplo, em Felicidade Clandestina, já que no conto são mencionadas outras crianças devoradoras de livros, além da protagonista; ademais, não há “ambiente de opressão e guerra” em A menina de lá; realidade presente em A menina que roubava livros. B) Correta; bem semelhante à questão anterior, as protagonistas experimentam esse contato, em Liesel e Clarice, os livros; em Nhinhinha, o “lá”; livros e “lá” são símbolos desse diferente, inatingível e libertador; Liesel e Clarice se libertam de suas “ingenuidades”, amadurecendo; enquanto Nhinhinha liberta-se do “cá”. C) Incorreta: Ler não é proibido, nem na Alemanha Nazista, proibido era a leitura de livros contrários à ideologia do partido. D) Correta: Em A menina de lá, Ninhinha não tem experiência com a leitura, suas estórias são fruto de sua sensibilidade, incompreendida por nós. 

 

15 (Unimontes) Leia o fragmento retirado do conto “Sorôco, sua mãe, sua filha”, de Guimarães Rosa, para responder ao que se propõe.

Todos caminhando com ele, Sorôco, e que canta que cantando, atrás dele, os mais detrás quase que corriam, ninguém deixasse de cantar. Foi o de não sair mais da memória. Foi um caso sem comparação. (ROSA, 2001, p. 66).

Assinale a alternativa INCORRETA.
A) O canto alude a uma possiblidade de transformação redentora, que atinge os habitantes do lugarejo.
B) O canto possibilita uma desconfiança dos sistemas estagnados e das verdades absolutas.
C) O canto corresponde a uma metáfora do poder transformador daquele que está do lado marginal ou incomum.
D) O canto representa a construção de uma sociedade igualitária e justa, na cidadezinha mineira.

Comentário: A) Correta: Todos se libertam das amarras sistemáticas institucionalizadas. B) Correta: Uma continuação da alternativa anterior, por trazer uma reflexão questionadora sobre o que é dito como verdade. C) Correta: As loucas, juntamente com os homens do sertão, representam esse marginal e incomum, que nos trazem uma possibilidade de leitura diferente da razão e insanidade. D) Incorreta: O canto traz uma reflexão sobre a essência humana, não tem pretensões sociais, mas existenciais. 

 

16 (Unimontes) Sobre a expressão “felicidade clandestina”, do conto homônimo de Clarice Lispector, assinale a alternativa INCORRETA.
A) Indica que o desejo alcança os objetos ou seres inacessíveis, faltosos.
B) Exprime que a felicidade se vive após uma experiência dolorosa ou difícil.
C) Revela que a clandestinidade é a única forma possível de felicidade.
D) É uma experiência intensa, pessoal, incomunicável entre uma menina e o livro.

Comentário: A) Correta: O livro é um objeto inacessível e faltoso na vida da protagonista, e que lhe traz felicidade. B) Correta: Para conseguir a felicidade, a protagonista teve de passar por “uma tortura chinesa”, isto é, uma experiência dolorosa, tendo de ouvir a negação de concretizar a sua felicidade. C) Incorreta; afirmar que “a clandestinidade é a única forma possível de felicidade” restringe experiências felizes vivenciadas por qualquer pessoa. D) Correta: A felicidade vivenciada pela protagonista pertence apenas a ela, em sua intimidade e singularidade. 

 

17 (Unimontes) A respeito do livro Passaporte para a China, de Lygia Fagundes Telles, NÃO é verdadeira a alternativa 
A)  Percebe-se que a emoção sustenta os relatos da narradora, pois as viagens são vivenciadas numa esfera sensível e não física.
B)  As datas revelam que a escrita dos textos ocorre em tempo real ao da experiência de viagem.
C)  As marcações temporais atestam o caráter híbrido do gênero textual narrativo, que contém traços de diário, crônicas e contos.
D) O olhar detalhista e memorialístico da narradora contribui para uma feição vívida e sinestésica da experiência da viagem.

Comentário: A) Incorreta: Existe a esfera sensível da viagem, mas também existe a viagem física, a autora verdadeiramente faz uma viagem real à China, passando por vários países. B) Correta: O momento da enunciação, instante da escrita, corresponde ao momento do enunciado, instante do relato. C) Correta: A autora escreve suas experiências pessoas em quase todos os dias de sua viagem, fazendo uma espécie de diário de viagem, ao gosto das crônicas, bem como dos contos, pelo seu teor narrativo. D) Correta: A autora parece ter uma câmara em suas mãos, registrando situações bem singulares com bastante sensibilidade, sentindo (olfativamente, sonoramente, visualmente) cada experiência de sua viagem. 

 

18 (Unimontes) Em Passaporte, de Fernando Bonassi, NÃO é verdadeira a alternativa
A) A figura divina é desconstruída, humanizada, de forma a representar o espírito crítico e dessacralizador da obra.
B) O formato do livro – um passaporte – sugere que tanto o tema abordado nas narrativas quanto a própria experiência de leitura são viagens.
C) Fernando Bonassi metaforiza, em seu livro, uma viagem transcendental, rumo ao aprimoramento do espírito.
D) No livro, a urbanidade violenta e desagregadora é tema bastante explorado pelo autor.

Comentário: A) Correta: Nos minicontos, não há espaço para a divindade, seus relatos são marcados pelo signo da violência humana. B) Correta: A obra possui uma preocupação estética, não só dos textos, como também da visualidade do livro; reiterando o seu caráter de viagem. C) Incorreto: Como dito na alternativa “A”, não há imagem divina na obra, por isso não se pode falar em “viagem transcendental”, mas, sim, real; não há aprimoramento do espírito, mas denúncia da miséria humana. D) Correto: Bonassi escreve seguindo a realidade desagregadora e violenta da pós-modernidade. 

 

19 (Unimontes) 

A palavra crônica é derivada do latim Chronica e do grego Khrónos (tempo), por isso a crônica pode ser definida como o relato de uma impressão ou de acontecimentos em um determinado tempo. A quantidade de personagens é reduzida, podendo inclusive não haver personagens. É a narração de um fato do cotidiano, que pode ser narrado com um tom de ironia e bom humor, fazendo com que as pessoas vejam por outra ótica aquilo que parece óbvio demais para ser observado.

O tempo passa.
O tempo passa e vai reduzindo minha esperança de permanecer.
Sinto que com o passo do tempo eu também passo.
O tempo bem podia passar a largo, longe de mim.
(CANELA, 2014, p. 184.)
 
A partir dos trechos acima, assinale a alternativa INCORRETA sobre a obra Alguma Literatura: crônicas, de João Caetano Canela.
A) A crônica “Tempo” exemplifica uma narrativa contemporânea, refletindo algo que influencia o espírito do narrador.
B) A crônica “Tempo” apresenta uma descrição do narrador acerca de um fato ocorrido em um breve espaço de tempo.
C)  A repetição do vocábulo “tempo” ressalta poeticamente as reflexões de um narrador em primeira pessoa.
D) As apreensões do narrador acerca do tempo confluem com o caráter de cotidianidade e de brevidade característico do gênero crônica.

Comentário: A) Correta: A consciência da transitoriedade do tempo traz uma reflexão ao narrador. B) Incorreta: O texto não é uma descrição de um fato, mas uma reflexão sobre o próprio tempo. C) Correta: Muitas são as marcações em primeira pessoa, como “minha” e “mim”, que parecem, sim, serem intensificadas com a anáfora “tempo”. D) Correta: O autor faz uma reflexão sobre o tempo, que naquele e neste instante está passando, deixando sua marca em um momento; assim também são as crônicas, caracterizadas pela brevidade de um tempo e cotidianidade.  

 

20 (Unimontes) O tema das viagens, presente na obra Passaporte para a China, de Lygia Fagundes Telles, NÃO evidencia a seguinte conclusão:
A) a viagem representa deslocamento simultâneo de lugar e de culturas.
B) a escrita da viagem significa a recriação de suas emoções e impressões.
C) as vivências de viajante representam oportunidade de conhecer o outro.
D) os relatos de viagem são incursões fictícias que expressam sua evasão.

Comentário: A) Correta: A cada lugar visitado pela autora, ela traz a impressão cultural daquele povo. B) Correta: A cada lugar visitado, a autora interage com o meio e o povo, emocionando-se e recriando suas experiências. C) Correta: Esse conhecer o outro está associado à experiência da alteridade. D) Incorreta: Mesma resposta da questão 17, a autora faz uma viagem real, não fictícia. 

 

Espero que tenha se saído bem na prova
Obrigado pela confiança em nosso trabalho
abraços genuínos
márcio moraes

 

 

 

Publicado por Márcio Adriano Moraes
em 07/12/2014 às 23h40
 
23/11/2014 23h06
Unimontes 2014 Paes 3ª Etapa - Comentário da Prova de Literatura

PROVA FECHADA

Questão 7
A (correta) Os fatos são retratados com uma linguagem sensível e poética. 
B (incorreta) A viagem NÃO é metafórica, ela é real. Durante essa viagem real, a autora faz uma viagem urdida em sua
imaginação, através de suas leituras e recordações.
C (correta) As intertextualidades estrangeiras e nacionais estão em praticamente todas as crônicas.
D (correta) Já na sua segunda crônica, a autora explica ao leitor por que está escrevendo, portanto metalinguística. 

Questão 8 
A (correta) Os textos de Bonassi são múltiplos em temáticas, vozes e espaços. 
B (correta) Todas as páginas possuem uma imagem que dialoga com o texto verbal, ampliando as significações. 
C (incorreta) O gênero narrativo NÃO é policial! Ele escreve instantâneos, minitextos que possuem características 
híbridas. Lemos textos que trazem várias temáticas. 
D (correta) A técnica narrativa é marcada pela velocidade da contemporaneidade. 

Questão 9 
A (correta) As experiências passadas, bem como acontecimentos casuais estão nos textos dos três autores, Caetano, Lygia e 
Bonassi. 
B (correta) A poeticidade está presente nos textos de Caetano e Lygia, uma das razões é por serem crônicas de vivências 
pessoais. 
C (correta) A escrita de Bonassi já é antecipada pela imagem da lâmina na capa, cortante, violenta e transgressora. 
D (incorreta) As narrativas memorialístas NÃO são acríticas; há, sim, textos críticos. Em Lygia, vemos denúncias acerca 
de ações brasileiras, como demolir prédios e a falta de preservação do verde; em Caetano, lemos um tom de indignação pela perda de alguns monumentos e costumes na crônica "Dias fugazes", por exemplo. 

Questão 10
A (correta) As palavras de Nhinhinha têm força transformadora, bem como o canto da mãe e filha de Sorôco, representando 
uma nova forma de traduzir o mundo. 
B (correta) Um dos principais foco de Rosa é justamente colocar em "Xeque" os limentes entre loucura e razão. 
C (incorreta) Em "A menina de lá", o "mundo do inatingível ou inexplicável é expresso pela ótica da criança", que é 
Nhinhinha; mas em "Sorôco, sua mãe, sua filha" não podemos afirmar isso, pois o protagonista é Sorôco. Apesar de ter a filha, cuja idade não é revelada no conto, não podemos reduzir a reflexão apenas a ela. 
D (correta) Essa alternativa é justamente a reflexão proposta por Rosa, de olhar o ser humano de uma outra forma. O que 
existe não é nem louco, nem são, nem santo, o que existe é "homem humano, travessia". 


PROVA ABERTA

Questão 4
No fragmento de Lygia Fagundes Telles, a autora observa uma cena em Praga, Tchecoslováquia, que a faz pensar no Brasil. 
Em suas palavras lemos, "brasileiros sem creche, sem escolas e sem hospitais". Apesar de mencionar a compensação da beleza, a autora crítica a nossa realidade social de problemas básicos, como saúde e educação. No texto de João Caetano Canela, mediante o uso da "anáfora", o autor distingue aqueles que têm dos que não têm. Em suas palavras, percebemos uma crítica voltada para o povo que é iludido, tratado sem prestígio, mas que não perde a esperança. De acordo com as palavras de Antoine Compagnon, os dois autores produziram textos de que mostram suas opiniões acerca da sociedade, em tom de desacordo. Portanto, fica evidente a função denunciativa e reflexiva da Literatura ante a sociedade. O escritor assume uma postura daquela que acompanha o movimento do mundo para produzir a dissensão, o novo, a ruptura. 

Questão 5
João Guimarães Rosa é conhecido por ser um escritor que explora a potencialidade da linguagem. No conto "A menina de lá", 
o advérbio do título pode ser entendido de várias formas. Em se tratando de uma menina diferente, cujas ações eram incompreendidas pelos seus parentes, Nhinhinha pertenceria a outro plano, como se tivesse vindo de um lugar transcendente. Como o lugar de seu nascimento é conhecido por "Temor de Deus" e seus atos são tidos por milagres, este "lá" pode ser entendido nesse sentido, de um espaço pertencente aos santos, ao divino. Nhinhinha também pode ser de um "lá" cujas palavras estão no campo do poético, da sensibilidade que não é compreendida por pessoas comuns. O "lá", portanto, seria um universo diferente da linguagem, estando no campo da criação literária. 

 

Publicado por Márcio Adriano Moraes
em 23/11/2014 às 23h06
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