Na soleira do tempo, à velha porta,
ele vigia o dia a se perder;
num latido baixinho e sem prazer,
com o seu coração que a dor comporta.
Fareja o vento e atento até suporta
o agro ruído ou mesmo o som de um ser
e espera por seu dono, sem perder
seu amor, coração de sua aorta.
O júbilo que salta e se derrama,
quando antevê que chega, pelo faro,
quem lhe deixou sozinho a custo caro:
a mãe-menina que lhe atiça a chama,
com uma tal paixão que o amor instiga
entre este cão fiel e sua amiga.