num ano de tanta legenda
sigamos em aconchego de linho e renda
No aconchego de um chalé de beira de estrada, encontramo-nos entre abraços de mãos e patas. Amanhecemos este ano com suave chuva diamantina. E seguimos retorno à terra de nosso enlace. Naquela parada de descanso e rancho, um tombo de mais graça que gravidade. E a poderosa, sempre se erguendo para nos soprar o vento, seguiu com seu ronco em nossos sonhos.
E iniciamos como sempre o nosso letivo. A sua rotina de segunda continuou com madrugadas quentes e frias. Mas, para nossa surpresa, houve novidades. Você, meu jardim de roseiras, entrou numa experiência de intensa atividade. Coragem, carece de ter coragem. A vida é assim, bem diz outra rosa, sossega e depois desinquieta, o que ela quer da gente é coragem. E lá foi você levar leveza e simpatia refletidas em cores por um prisma. A sala de aula com seus desafios e encantos. Você, já no primeiro ano, com mimos de alunos, assumindo responsabilidades grandes. Comigo também não diferente, novidades também presentes. Aquela minha metade oswaldiana foi levar poesia em salas alípedes. Experiências e vivências com saberes tantos. Por vezes aquele gostinho que bem sabe quando partilhamos.
Mas o impacto chegou naquele mês de abril, naquelas terras cacaueiras. Antes, veio o regozijo de nossa conquista de capota marítima, levada para além das terras médias. O condado se construindo com seus personagens e suas geografias. Era para ser a sua primeira aventura, mas não foi inesperada. Então, a poderosa seguiu sua sina e nos levou até aquelas areias. Mas que susto e que desespero, minha morena de neve. Ali a vida nos pregou uma pregação de muitos ensinamentos. E nos revelou que há pessoas que são bênçãos nas curvas da travessia, e que existem amizades que não hesitam diante da mão estendida. Seguiram os dias de dores vividos em superação graças a nossos amores.
Amargamos perdas que me são caras. Um março e um setembro doridos. Primeiro foi a despedida de um amigo querido, daqueles que fizeram a infância valer. E depois o adeus àquele padrinho que me fez a música primeira de meus dedos, que colocou minhas mãos sobre as teclas e que me ensinou melodias que harmonizaram minha vida.
Ah, a música! Se as palavras não tivessem me encantando tanto, seria os sons a me sustentarem. E bem ainda que foi assim, pois foram as palavras que me levaram até você, minha linda. Mas o som baixo que eu tanto desejava chegou, enfim, de forma robusta. E agora ostento uma coleção doce de flautas em meus lábios de alturas várias. O meu solo, contudo, mais adocicado, não vem das escalas tonais, mas de sua aura, meu amor, que me faz ser cada vez mais.
E se devemos ser gratos a tudo na vida, grato intensamente sou por ter você a dividir comigo alegrias. E veio, neste dezembro de nossas bodas, aquela marca que há dois anos esperávamos. E que seja a primeira, e que as outras venham em abundância. Ao seu lado me publico, na certeza de que suas orações são ecos que com as minhas se reforçam, tornando-nos um casal que espelha o ensinamento maior a nós deixado: o amor.
Nestes treze anos de cumplicidade, envolvemo-nos em linho e renda, num aconchego a três. Sim, ela está em nossa metade, nossa serotonina tão pequena, mas tão grande em amorosidade. E que estejamos, assim, por longas horas, dias, meses e anos. As bodas são só uma lembrança de que o aniversário de um casal se faz a cada olhar da aliança.
seu Márcio