Márcio Moraes
"no leito solidário de uma floresta altiva descansem por favor a minha poesia"
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22/11/2015 20h06
PAES 3ª ETAPA/2015 - Questões com Gabarito Comentado

PAES 3ª ETAPA – 2015 
Prova: 22 de novembro de 2015
Questões com Gabarito Comentado

QUESTÃO 07
Leia o fragmento da musica Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandre.

[...]
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a historia na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
[...]

(Disponivel em: . Acesso em: 4 out. 2015.)

Para responder a essa questão, considere comparativamente o filme O que é isso, companheiro?, de Bruno Barreto. Assinale a alternativa INCORRETA.
a)    A letra da musica e o filme expressam a inutilidade das lutas, em face de uma realidade de desesperança, em que as flores estão no chão e os soldados estão armados.
b)    A primeira pessoa do plural, na musica, estimula a participação conjunta e solidaria como alternativa a construção da história e tem valor equivalente ao sentido de companheiro, no filme.
c)    Os verbos de ação e a passeata que abre o filme de Barreto evidenciam uma chamada a uma nova ordem social, em que todos, indistintamente, devam participar.
d)    A ideia de “companheiro” esta presente na música e no filme e pode ser um índice para designar os muitos anônimos da resistência.

Gabarito: A

A (incorreta) As lutas não são inúteis, pelo contrário, tanto a música quanto o filme mostram as formas de resistência de parcela da população brasileira ante o contexto repressor. B (correta) O apelo do autor da música está justamente em “vamos”, isto é, todos somos “companheiros” e devemos lutar juntos. C (correta) É visível na letra o convite a várias parcelas da sociedade (escolas, campos, construções); no cinema, a passeata que abre o filme indica uma irmandade de várias classes sociais. D (correta) Na passeata do filme, o espectador identifica as personagens principais, enquanto uma grande massa é secundária, ilustrando toda a sociedade; também na música, por exemplo, em “escolas” entendem-se professores, alunos, pais, isto é, todos os “anônimos” que juntos formam uma resistência.

QUESTÃO 08
Leia o fragmento da musica Cálice, de Chico Buarque de Holanda, e trechos da peca teatral Liberdade, liberdade, de Flavio Rangel e Millôr Fernandes.

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silencio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta forca bruta

(HOLANDA, C. B. de; GIL, G. Calice. In: HOLANDA, C. B. de. Chico Buarque. Polygram/Philips, 1978.)


TEREZA: Cecilia Meirelles: Romanceiro da Inconfidência. (Inversão de luz. Foco em Paulo.)
PAULO: Atrás de portas fechadas / a luz de velas acesas / entre sigilo e espionagem acontece a Inconfidência. / Liberdade, ainda que tarde / Ouve-se em redor da mesa. / E a bandeira ja esta viva / E sobe na noite imensa. / E os seus tristes inventores / Já são réus – / pois se atreveram a falar em Liberdade. / Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta / que não ha ninguém que explique / e ninguém que não entenda.
(Inversão de luz. Foco só em Tereza.)
TEREZA: Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta... / Sentença contra Tiradentes.

(RANGEL, F.; FERNANDES, M. Liberdade, liberdade. Porto Alegre: L & PM, 2009.)
 
Assinale a alternativa INCORRETA.
a)    A ênfase da música e dada pela repetição da palavra proparoxítona “cálice”, cuja força expressiva recai na ambiguidade sonora que se forma entre ela e o verbo imperativo “cale-se!”.
b)    A peça teatral, utilizando vozes de filósofos, políticos, artistas e escritores, reforça a ideia de que a liberdade é um anseio inerente ao ser humano.
c)    A força discursiva do refrão da música vai ao encontro de um excerto da peça, retirado da obra de Cecilia Meireles: ambos evidenciam o anseio pela liberdade de expressão e pensamento.
d)    A intenção sacra da música está visível na recuperação da fala de Jesus Cristo, que, atualizada, remete ao sofrimento do homem na história contemporânea do Brasil.

Gabarito: D

A (correta) O mais significativo da canção “Cálice” é essa ambiguidade entre o verbo “Calar” e o substantivo “Cálice”, eis a razão para os autores utilizarem essa palavra, num contexto de censura, ou seja, em que as pessoas deveriam ficar caladas. B (correta) A peça “Liberdade, Liberdade” é um imbricado de vozes intertextuais de várias épocas da história, na qual o homem sempre buscou por manifestações de liberdade. C (correta) Tanto a música, quanto o poema de Meireles retratam instantes históricos em que seus autores/personagens clamavam por transformações sociais, em busca de liberdade política. D (incorreta) A música não tem intenção religiosa, mas sim política; o título, como ressalta a alternativa A, refere-se mais a dor do ato de calar que propriamente a dor do sacrifício de Cristo, que aqui serve de analogia.

QUESTÃO 09
Leia atenciosamente os trechos das musicas Brasil, de Cazuza, e Pacato Cidadão, do grupo Skank.

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de credito e uma navalha

Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual e o teu negocio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

(CAZUZA, G. I.; NEVES, E. Brasil. In: CAZUZA. Ideologia. Universal Music, 1998.)


Pra que tanta sujeira
Nas ruas e nos rios
Qualquer coisa que se suje
Tem que limpar
Se você não gosta dele
Diga logo a verdade
Sem perder a cabeça
Sem perder a amizade

Pacato Cidadão!
E o Pacato da civilização
Pacato Cidadão!
E o Pacato da civilização

Oh! Pacato Cidadão!
Eu te chamei a atenção
Não foi a toa, não
C’est fini la utopia
Mas a guerra todo dia
Dia a dia, não

(ROSA. S.; AMARAL, C. Pacato cidadão. In: SKANK. Calango. Chaos, 1993.)

Sobre as músicas, assinale a alternativa INCORRETA.
a)    Os textos configuram-se como manifestação de resistência as multifacetadas formas de opressões politicas.
b)    As duas letras manifestam tom de descontentamento com a sociedade constituída, deixando entrever que a vida diária é uma guerra.
c)    As músicas apresentam certo tom conformista, pois demonstram mal-estar com a cena politica brasileira, mas não conclamam a ação.
d)    Os trechos “Brasil, mostra tua cara!” e “Pacato Cidadão” evidenciam o tom político das letras, que revelam as faces da marginalização e da exclusão social.

Gabarito: C

A (correta) As duas questões abordam um envolvimento político-social brasileiro ante os contextos de sua produção. B (correta) O próprio refrão das canções confirmam esse descontentamento; “Brasil, mostra tua cara” e “Pacato cidadão, eu te chamei a atenção”; ambas são uma indireta ao povo brasileiro e seu estado de inércia, um convite para a luta. C (incorreta) Nas músicas, os autores se mostram inconformados com a situação social, e apelam para ações efetivas da população em prol de mudanças sociais. D (correta) Todo o Brasil, com suas diferenças e igualdades, é preciso “acordar” para as transformações político-sociais.

QUESTÃO 10
Leia com atenção os fragmentos do livro Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva. Tais fragmentos referem-se a influência de Fernando Gabeira, autor do livro O que é isso Companheiro?, no jovem escritor. O livro de Gabeira ganha destaque nas telas de cinema com o filme homônimo, do diretor Bruno Barreto.

Trecho I
As aventuras do Gabeira entravam pelo meu ouvido e me faziam lutar junto. Tinha momentos em que me identificava profundamente com ele. Principalmente numa parte do livro em que ele, perseguido pela polícia, e obrigado a ficar um mês no apartamento de uma pessoa que nem conhecia. [...] Era uma situação muito parecida com a minha, preso num lugar que não conhecia, absolutamente sem fazer nada. (PAIVA, 1982, 37-38).

Trecho II
O Gabeira nem imagina o quão importante ele foi para mim. Nunca me esqueci da emoção que ele sentiu, quando, ao sair do apartamento, pegou um ônibus que vai pelo aterro, na praia do Flamengo, abriu a janela e ficou curtindo o vento batendo em seu rosto. (PAIVA, 1982, p. 38).

A partir da leitura do livro e do filme, assinale a alternativa INCORRETA.
a)    A menção ao livro de Gabeira pelo jovem Marcelo evidencia um esforço de construção da democracia brasileira, que principiava por uma mirada ao passado.
b)    O aprisionamento físico do narrador de Feliz Ano Velho é equiparado ao exilio forçado de Gabeira, embora as circunstâncias e histórias de ambos tenham sido diferentes.
c)    A descoberta da literatura ocorre para o personagem Marcelo concomitante a imobilidade física, advinda do acidente que sofrera em 1979.
d)    Livro e filme revelam as tensões de dois personagens que vivem a repressão da Ditadura Militar no Brasil e veem na literatura seu modo de libertação.

Gabarito: D

A (correta) Tanto Gabeira quanto Marcelo perderam suas liberdades passadas, o primeiro a de expressão; e o segundo, a física. B (correta) Os dois autores se tornam prisioneiros das circunstâncias vividas; um por um acidente, e outro por opiniões políticas. C (correta) “Feliz ano velho” é o primeiro livro de Marcelo Rubens Paiva, o qual só foi escrito justamente por que o autor sofreu o acidente; caso não tivesse ocorrido, talvez nem se tivesse tornado um escritor. D (incorreta) Os dois escreveram seus livros durante o período militar, porém em situações e com propósitos literários diferentes; ademais, o filme retrata apenas um dos capítulos do livro “Babilônia” em que se narra o sequestro do embaixador norte-americano; a literatura para Marcelo é uma forma de libertação do seu acidente; enquanto a literatura do Gabeira é um testemunho político.

Questões abertas

QUESTÃO 4
Leia com atenção o fragmento retirado da obra Poema sujo, de Ferreira Gullar, para responder ao que se propõe.

A partir da leitura do poema, explique pelo menos dois sentidos que podem ser atribuídos ao adjetivo “sujo”, que compõe o titulo da narrativa.

Sugestão de resposta:

A obra de Ferreira Gullar “Poema sujo” foi escrita num processo de escrita intensa, semelhantemente a uma escrita automática, uma espécie de “vômito” poético. Essa é uma das possibilidades do sentido sujo, já que a escrita segue uma composição de vertigem, sem uma ordenação canônica da forma nem do conteúdo. Outro sentido está nas lembranças de espaços e situações em que o “sujo”, o “escatológico” o “horrível” se destacam, como se comprova nos versos acima com as palavras “apodrecer” e “feder”, por exemplo.

QUESTÃO 5
Leia com atenção os fragmentos dos livros Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva, e Apenas Rascunhos, narrativas curtas e medias, de Andrea Martins.

Texto I
As palavras, quando escritas, ganham sentimentos, mais verdade. Aquilo estava ali e não poderia ser apagado, enquanto a memória apaga facilmente. (PAIVA, 1982, p. 81.)


Texto II
Já faz seis meses que estamos aqui neste hospital, eu velando o sono no qual Luiza mergulhou desde o acidente com o ônibus que a levava de encontro à verdade de nossas vidas. Não há prognóstico para o futuro: ela pode ficar anos em coma ou pode acordar a qualquer momento. [...]. Não quero correr o risco de reencontrar minha paz, eu não a mereço mais do que as duas mulheres que amei e que de certa maneira morreram por minha causa. (MARTINS, 2013, p. 136.)

Escreva um paragrafo demonstrando como a memória e a escrita atuam diferentemente em cada narrador.

Sugestão de resposta:

Na obra de Marcelo Rubens Paiva, a escrita funciona como um registro nostálgico do passado, a fim de mantê-lo preservado, já que as experiências vividas, enquanto se podia andar, jamais poderão ser vividas novamente. Na obra de Andrea Martins, a escrita traz uma reflexão de experiências amorosas frustradas vividas que devem servir de lições para outros relacionamentos. Dessa forma, enquanto, em “Feliz ano velho”, a memória resgata momentos felizes; em “Apenas rascunhos”, a memória traz à tona as dores amorosas. Em ambos, a memória e a escrita servem como reflexões de experiências vividas, as quais devem ser lembradas como lições de vida, além de uma espécie de “purgação”.

As respostas acima são apenas sugestões. Não significa que respostas que tenham tido outra linha de pensamento em construção coerente com as perguntas estejam erradas, nem tampouco nossa sugestão significa a melhor resposta ou resposta ideal. 


Publicado por Márcio Adriano Moraes em 22/11/2015 às 20h06
 
16/11/2015 15h28
Caderno de Questões: obras do Paes 3ª Etapa 2015 Unimontes

Este caderno traz cinquenta questões referentes às obras exigidas como leitura obrigatória para o Paes 3ª Etapa da Universidade Estadual de Montes Claros. São quarenta questões fechadas e dez questões abertas. Seguindo o estilo da Cotec, os exercícios visam à preparação do pré-vestibulando, proporcionando-lhe confiança para gabaritar a prova de Literatura, composta por quatro questões fechadas, peso três; e duas questões abertas, vinte pontos. Ao final, o Gabarito e as sugestões de repostas.



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Publicado por Márcio Adriano Moraes em 16/11/2015 às 15h28
 
14/11/2015 15h38
Palestra Motivacional

Palestra com Romero Machado
Tema: Relacionamento entre pais, filhos e professores
Data: 23 de novembro de 2015
Horário: 19h30min
Local: Auditório do Colégio Tiradentes
Valor: R$20,00
Ponto de venda: Colégio Tiradentes ou pelo Contato do site: www.marcioadrianomoraes.com


Publicado por Márcio Adriano Moraes em 14/11/2015 às 15h38
 
01/11/2015 20h27
VESTIBULAR MEDICINA FUNORTE 1/2016 - QUESTÕES DE LITERATURA

PROVA DE LITERATURA – FUNORTE
1 DE NOVEMBRO DE 2015

COMENTÁRIO DAS QUESTÕES DE LITERATURA, ENVOLVENDO A OBRA “PRIMEIRAS ESTÓRIAS”, DE GUIMARÃES ROSA

18 (Funorte) Todos os contos do livro Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa, foram devidamente interpretados, EXCETO:
a)    FAMIGERADO: Narrativa de cunho metalinguístico, em primeira pessoa, que coloca em cena um “brabo sertanejo, jagunço até na escuma do bofe”. Um questionamento em torno do significado da palavra “famigerado” transforma em comédia o que poderia ter resultado em desgraça. 
b)    O ESPELHO: Este conto, estrategicamente situado no meio do livro, lança uma série de questionamentos e reflexões existenciais explorando a simbologia do espelho. O narrador, ao final, pergunta ao leitor/interlocutor: “Você chegou a existir?”
c)    OS IRMÃOS DAGOBÉ: Trata-se de uma história de ódio e vingança. Derval, Doricão e Dismundo, os irmãos Dagobé, vingam a morte do primogênito Damastor, assassinado pelo pacífico Liojorge.
d)    SEQUÊCIA: O destino e a travessia são os fios condutores desse conto. A vaquinha busca sua querência, a fazenda Pãodolhão; e o filho de Seio Rigério, que persegue o animal e encontra o amor, segunda filha do Major Quitério. 

RESPOSTA: C
COMENTÁRIO:
No conto “Os irmãos Dagobé”, há um anticlímax. A narrativa guia o leitor para uma vingança certeira, já que é esta a regra do sertão. Entretanto, o personagem Doricão surpreende a todos ao dizer a Liojorge: “Moço, o senhor vá, se recolha. Sucede que o meu saudoso irmão é que era um diabo de danado...” (ROSA, 2001, P. 78). Assim, não houve a vingança como é anunciado na alternativa, portanto INCORRETA. 

19 (Funorte) Leia os fragmentos de textos, transcritos, respectivamente, dos contos “A menina de lá” e “Partida do audaz navegante”, do livro Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa.

“Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – “Ninguém entende muita coisa que ela fala...” – Dizia o pai com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - “Ele xurugou?” (ROSA, 2001, p. 67). 

“Porque gostava, poetista, de importar desses sérios nomes, que lampejam longo clarão no escuro de nossa ignorância. Zito não respondia, desesperado de repente, controversioso-culposo, sonhava ir-se embora, teatral, debaixo de chuva que chuva, ele estalava numa raiva. Mas Brejeirinha tinha o dom de apreender as tenuidades: delas apropriava-se e refletia-as em si – a coisa das coisas e a pessoa das pessoas.” (ROSA, 2001, p. 168).

Marque o comentário INCORRETO, baseando-se nos excertos e nos contos como um todo. 
a)    Apenas a personagem Brejeirinha tematiza a relação da criança com o poético, já que as palavras proferidas por Nhinhinha eram pouco inteligíveis.
b)    A relação das crianças com as palavras e com a realidade que as cerca vai ao encontro do processo criativo roseano. 
c)    Enquanto Brejeirinha tinha o “dom de apreender as tenuidades”, os desejos de Nhinhinha se concretizavam. 
d)    Invenção e imaginação diferenciam as personagens-mirins das outras personagens dos contos. 

RESPOSTA: A
COMENTÁRIO:
Tanto Brejeirinha quanto Nhinhinha são personagens caracterizadas pela linguagem poética. Aliás, esta é uma das principais características de Rosa em praticamente todos os seus contos. A poesia está presente de forma intensa em sua prosa. O próprio exemplo da fala de Nhinhinha: “ele xurugou” traz uma carga simbólica, que ultrapassa o sentido estrito da palavra, mesmo por que é um vocábulo neológico. O que torna a questão INCORRETA é o uso do advérbio “apenas”. 

20 (Funorte) Considere os comentários sobre a estrutura dos contos do livro Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa. 
I.    A estrutura dos contos é fragmentada, descontínua. Mais do que a ação das personagens em um espaço determinado, importam os significados e as reflexões que se podem ler nas linhas e entrelinhas das narrativas. 
II.    Cronologicamente, os conflitos e ações acontecem em intervalos de tempo determinados, característica que anula o tempo psicológico e as reflexões de natureza existencial. 
III.    O foco narrativo oscila entre primeira e terceira pessoa. Os narradores em terceira pessoa, por sua vez, isentam-se de qualquer proximidade com o objeto narrado. 

Estão corretos os comentários: 
a)    I e III.
b)    II e III.
c)    I e II. 
d)    I, apenas. 

RESPOSTA: D
COMENTÁRIO:
O mais significativo em Rosa são as mensagens, as reflexões que o autor deixa em suas estórias. Em “Sorôco, sua mãe, sua filha”, por exemplo, o autor quer que reflitamos sobre o tema da “loucura”; em “A menina de lá”, a “santidade”; em “Fatalidade”, a “valentia”; em “A terceira margem do rio”, o “não-lugar”; entre outras reflexões. Há uma forte presença do tempo psicológico, que permite justamente a “rememoração”, bem como a sondagem existencial. No conto “Nenhum, nenhuma”, há uma estória narrada a partir da memória, fragmentada, descontínua. Em “O espelho”, a reflexão existencial é o crucial. Nas narrativas em terceira pessoa, o autor geralmente utiliza a expressão “a gente”, aproximando-se do objeto narrado. A relação do autor-narrador com seus personagens é de empatia, como se percebem em “A menina de lá”. As estórias se situam em um espaço determinado, ou seja, o sertão mineiro. Em alguns contos os nomes dos lugares aparecem explicitamente como "Temor-de-Deus" em "A menina de lá" ; e "Serro Frio" em "Um moço muito branco". 


Publicado por Márcio Adriano Moraes em 01/11/2015 às 20h27
 
04/10/2015 18h20
PAES 2015 - Debate das obras no Psiu Poético 2015

1ª Etapa
Dia 6 de outubro (Terça-feira)

Obras:
Tela: “A primeira missa no Brasil”, de Victor Meireles
Tela: “A primeira missa”, de Cândido Portinari
Poema: “A primeira missa”, de Cassiano Ricardo
Poema satírico: “Cartas Chilenas”, de Tomás Antônio Gonzaga
Peça teatral: “O pagador de Promessas”, de Dias Gomes
Filme: “O Aleijadinho”, direção de Geraldo Santos Pereira

Palestrantes: Camila Souza, Kennya Lima, Auíri Tiago
Local: Auditório Cândido Canela - Centro Cultural Hermes de Paula
Horário: 15h
Contribuição: 1 (um) quilo de alimento não perecível

2ª Etapa
Dia 7 de outubro (quarta-feira)

Obras:
Peça teatral: “O Demônio Familiar”, José de Alencar
Romance: “O Seminarista”, Bernardo de Guimarães
Romance “Esaú e Jacó”, Machado de Assis
“Contos Gauchescos”, João Simões Lopes Neto

Palestrantes: Manuelly Ferreira, Rennê Lopes, Marina Couto
Local: Auditório Cândido Canela - Centro Cultural Hermes de Paula
Horário: 15h
Contribuição: 1 (um) quilo de alimento não perecível

3ª Etapa
Dia 8 de outubro (quinta-feira)

Obras:
Música: “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré
Música: “Cálice”, de Chico Buarque de Holanda e Gilberto Gil
Música: “Brasil”, de Cazuza
Música: “Pacato cidadão”, de Skank
Filme: "O que é isso, companheiro", de Bruno Barreto
Teatro: "Liberdade, liberdade", de Millôr Fernandes e Flávio Rangel
Romance: "Feliz ano velho”, de Marcelo Rubens Paiva
Poesia: “Poema sujo”, de Ferreira Gullar
Contos: “Apenas rascunhos: narrativas curtas e médias”, de Andrea Martins

Palestrantes: Márcio Adriano Moraes, Francisco Lima, Luciane Mota
Local: Auditório Cândido Canela - Centro Cultural Hermes de Paula
Horário: 15h
Contribuição: 1 (um) quilo de alimento não perecível


Publicado por Márcio Adriano Moraes em 04/10/2015 às 18h20



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